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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Mãe: já não quero ir para a Faculdade!

Se calhar depois até iam ganhar mal, ficar no desemprego porque afinal o que não falta por aí são advogados, gestores de empresas, economistas. Mas era um sonho e que ameaçava transformar-se em pesadelo sempre que as notas desciam uns pontinhos. Paciência, havia sempre a hipótese da privada. Não, não tem de ser assim. Nem sempre a Universidade é possível, nem sempre é a melhor opção e, definitivamente, deixou de ser garantia de emprego. As alternativas existem. Se calhar ainda não tinha pensado nisso!

Concluído o 9.º ano, é preciso decidir. Tudo depende daquilo que se quer fazer nos próximos anos. Ir para a Universidade? Continuar só até ao 12.º e depois procurar emprego? Embora não seja uma escolha definitiva, felizmente que nos últimos anos as coisas mudaram e já ninguém fica "condenado" pela decisão que tomou ao 15/16 anos. Mas é importante que se inicie uma estratégia: mercado de trabalho ou Ensino Superior.

No Ensino Secundário, os estudos prosseguem com uma determinada orientação. Os cursos ou são "predominantemente orientados" - é esta a palavra correcta - para o Ensino Superior, ou para a integração no mercado de trabalho. Aqui, estamos a falar de jovens que saem do secundário prontos para uma profissão, como técnicos intermédios habilitados com uma qualificação profissional de nível III (o que quer dizer que são capazes de exercer a sua actividade com autonomia e até com responsabilidades de coordenação). Mesmo assim, as portas do Superior continuam abertas a quem optar por estes cursos "predominantemente vocacionados" para o mercado de emprego. E se calhar vale a pena experimentar.

Os Cursos Tecnológicos, uma das opções aos Cursos Gerais (os normais, digamos assim) têm uma duração de três anos, o que equivale aos 10.º, 11.º e 12.º anos. A diferença é que no final, os alunos que saem dos tecnológicos têm um diploma de conclusão do secundário que lhes permite continuar os estudos seja no Superior politécnico ou no universitário, e ainda um outro de qualificação profissional - a porta para o mercado de trabalho.

Parece complicado, mas é importante perceber de que forma estão organizados estes cursos e quais existem. A cada curso geral correspondem vários cursos tecnológicos e neste momento a oferta é de quatro gerais para onze tecnológicos. Ambos organizados por agrupamentos (o que quer dizer áreas de estudos): o agrupamento 1 é o Científico-Natural, o 2 é o de Artes, o 3 é o Económico-Social e o 4 é o de Humanidades.

Os alunos que optarem pelo agrupamento 1 têm à sua escolha cinco cursos tecnológicos: Informática, Construção Civil, Electrotecnia/Electrónica, Mecânica, Química. No agrupamento 2, Artes, há duas possibilidades: o curso de Design ou o de Artes e Ofícios; no agrupamento 3, Económico-social, funcionam os cursos de Serviços Comerciais e de Administração e, finalmente, em Humanidades, encontramos a Comunicação e a Comunicação Social, que completam este leque de oferta dos tecnológicos.

Estes cursos têm algumas especificidades e cada um dispõe de um plano de estudos próprio, com disciplinas adaptadas às "realidades" profissionais. Os cursos distribuem-se por três componentes de formação: a geral, a específica e a técnica/artística, embora a formação técnica ocupe uma maior carga horária.


Artigo redigido por Paula Carvalho e gentilmente cedido pela revista Adolescentes (adaptado).