Texto
Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Plágio Escolar

De cada vez que, nas acções de sensibilização em que participo como orador ou formador, abordo a questão do plágio escolar, apercebo-me do problema crescente que este fenómeno representa. Este artigo pretende ajudar pais e professores a prevenir, detectar e combater este fenómeno.

Geralmente abordo esta questão contando uma história pessoal, passada comigo e com um dos meus filhos e que, há uns cinco anos atrás me despertou para esta realidade. Quando conto esta história, rapidamente me apercebo onde estão os professores entre a audiência. Percebo-lhes os sorrisos, os abanares de cabeça, os comentários para o lado, os suspiros, enfim. Puxo por eles e geralmente, partilham as suas experiências e frustrações com a restante audiência. E é nessa altura que, partilhando experiências, todos nos apercebemos que este é um problema transversal, isto é, abrange todos os níveis de ensino. Do básico ao superior. é mais neste nível de ensino que, também em Portugal, se verifica a existência de um comércio de trabalhos escolares, comércio esse que, em alguns países, assume contornos de autêntica indústria com inúmeros sites a oferecerem trabalhos já feitos e outros a oferecerem serviços de escrita à peça.


De pequenino se torce o pepino

A insensibilização para o plágio começa desde cedo. Muitas vezes ainda no pré-escolar. Por exemplo, na pesquisa de imagens para ilustrar trabalhos escolares. No entanto, se esse incentivo não for acompanhado desde cedo pela criação do hábito de citação das fontes - mesmo que de imagens se tratem - dificilmente conseguiremos criar esse hábito posteriormente. O hábito já foi adquirido e alterar comportamentos é complicado. Quanto mais cedo eles forem adquiridos, mais complicado se torna alterá-los.

Premiar a utilização de outras fontes

Cada vez mais cedo os miúdos são incentivados a incluírem a Internet nas suas pesquisas para trabalhos escolares. Da tal forma, que esta se tornou para muitos a sua única ferramenta de pesquisa. Assim, é importante incentivarmos e premiarmos a utilização de outras fontes de informação para além da Internet.

Como Fazer um Trabalho Escolar

Tenho por vezes a sensação que muitos alunos acabam por recorrer ao plágio, porque pura e simplesmente não o sabem fazer de outro modo. Não sabem estruturar e desenvolver um trabalho. Ensinar como o fazer é assim uma medida importante para prevenir a tentação da simplificação do ",copy/paste". A este nível, o software de apresentações como o PowerPoint, ou outro com funcionalidades ao nível do "outline", pode ser útil, como também poderá ser o software de desenvolvimento de mapas mentais.

Solicitar Apresentações Orais

Outra ferramenta que pode ajudar os professores é a solicitação aos alunos de apresentações orais dos trabalhos desenvolvidos. Os alunos que se limitem a um trabalho de "copy/paste" evidenciarão as suas fragilidades. E a este nível, dado o número de alunos de algumas turmas, será útil privilegiar os trabalhos de grupo, onde a apresentação é feita pelos diversos elementos do grupo.

Usar Software de Detecção de Plágio

A solicitação de trabalhos em formato digital, também pode ajudar. Desta forma, extractos de frases do trabalho podem ser confrontadas com pesquisas num motor de busca tendo em vista a detecção de documentos com frases iguais. Mas existem já sites na Internet vocacionados para a detecção de plágio e algumas universidades portuguesas subscrevem já os seus serviços para utilização pelos seus docentes. Por outro lado, existem também software comercial - algum a preços muitos acessíveis - que cumpre função semelhante. E existem também mais de uma dezena de programas gratuitos que cumprem a mesma função. O desafio aqui é incentivar também os estudantes a usarem este tipo de software para detectarem eventuais problemas de plágio antes deste ser detectados pelos seus professores.


Adoptar um Código de Honra

Segundo Aurora Teixeira, uma docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, que estudou aprofundadamente a questão da fraude académica, a adopção de um Código de Honra é uma importante ferramenta que pode influenciar positivamente o comportamento dos estudantes a este nível. Segundo esta investigadora, "nos estabelecimentos de ensino onde ele está previsto, a probabilidade de fraude académica é muito inferior".

Para além das questões relacionadas com a ética, justiça, segundo o sociólogo Ivo Domingues, a fraude académica afecta a competitividade dos portugueses. Mas para além destas razões que nos devem motivar a prevenir, detectar e combater o plágio, uma assume primordial importância: "os países onde os alunos universitários mais admitem copiar nos exames são também aqueles onde o índice de corrupção é mais elevado". Esta conclusão, mostrando uma forte correlação entre estas duas realidades, resulta de um estudo envolvendo vinte e um países, em quatro continentes, desenvolvido por Aurora Teixeira e Fátima Rocha, docentes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Artigo gentilmente cedido por Tito de Morais.

Tito de Morais é fundador do site MiudosSegurosNa.Net, um projecto que ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das novas tecnologias de informação e comunicação por crianças e jovens.