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Texto, uma editora do grupo LeYa leYa

Quando há uma criança disléxica na aula

Ao lidar com um aluno disléxico, a primeira tarefa do professor é resgatar a autoconfiança do aluno, descobrindo suas capacidades, para que este possa acreditar em si próprio ao destacar-se em outras áreas. O papel do professor é dirigir um olhar flexível para cada aluno que tenha dificuldades, compreender a natureza dessas dificuldades, procurar um diagnóstico especializado, recorrer a diversas actividades e técnicas de ensino e descobrir qual delas melhor se adapta a cada criança e a cada situação; ou, segundo alguns autores, criar/adaptar os seus próprios materiais.

O ideal é trabalhar a autonomia da criança, para que este não se sinta dependente em tudo. O professor deve acolher a criança e respeitar as suas diferenças, sem se permitir "sentir pena".


É importante que o professor: explique à criança o seu problema; se sente ao lado dela; não a pressione com o tempo; não estabeleça competições com as outras crianças da sala; seja flexível quanto ao conteúdo das aulas; faça críticas construtivas; estimule o aluno a escrever em linhas alternadas (o que permite a leitura da caligrafia imprecisa); se certifique de que o TPC foi entendido pela criança; pedir aos pais que releiam com ela o que é pedido no TPC; evite anotar todos os erros na correção (dando mais importância ao conteúdo); não corrija com lápis vermelho (o que fere a suscetibilidade destas crianças); procure descobrir os interesses e leituras que prendam a atenção da criança.


Note-se que é muito importante constituir turmas pequenas, com um máximo vinte alunos; assim, o professor terá oportunidade de observar de maneira adequada todas as crianças com maiores dificulades, dispondo também de tempo para auxiliá-las.


Deixam-se aqui mais algumas estratégias que podem usadas para facilitar a aprendizagem, em sala de aula, do aluno disléxico:

- usar freqüentemente: relógio digital, calculadora, gravador;

- usar de ilustrações e fotografias (a imagem é essencial para sua aprendizagem);

- utilizar folhas quadriculadas para matemática;

- recorrer a máscara durante a leitura de textos;

- fazer e usar letras com várias texturas;

- fazer revisões com frequência;

- evitar cópias do quadro ou dar mais tempo a estes alunos para a execução desta tarefa;

- ensinar a criança a separar as palavras longas com uma linha a lápis;

- não forçar a criança a modificar sua caligrafia - estas crianças acham a sua letra horrível e não gostam de vê-la no papel (a definição da caligrafia é um processo longo);

- passar menos TPC e avaliar a necessidade e aproveitamento retirado deste;

- reservar mais tempo para as avaliações escritas pois uma tarefa que criança não disléxica acaba em vinte minutos, pode levar duas horas a completar à criança disléxica;

- sempre que possível, a criança deve ser encorajada a repetir o que lhe foi dito para fazer, isto inclui mensagens (ouvir a própria voz ajuda a melhorar a memória);

- usar sempre uma linguagem clara e simples na avaliação oral e, sobretudo, na escrita;

- uma língua estrangeira é muito difícil para estas crianças; fazer as suas avaliações sempre em termos de trabalhos e pesquisas;

- a criança disléxica deve sentar-se próximo da professora, de modo que a esta possa observá-la e encorajá-la a pedir ajuda;

- não esperar que a criança use correta e autonomamente um dicionário para verificar qual a forma correcta de escrever uma palavra; esta competência deve ser cuidadosamente ensinada;

- evitar ensinar várias regras de escrita numa mesma semana.


No que diz respeito à atitude, o professor deve estar muito atento, de forma a não afectar a autoestima do aluno disléxico. Recomenda-se que o professor:

- evite dizer que a criança é lenta ou preguiçosa e não estabeleça comparações com outros alunos da sala;

- não obrigue esta criança a ler em voz alta perante a turma excepto, claro, que esta manifeste o desejo de o fazer;

- dar maior peso às respostas orais do que às escritas;

- evidencie sempre paciência, compreensão e amizade;

- coloque observações (como: "estuda mais") em vez de riscar os erros;

- procure não anunciar as suas notas em voz alta;

- não considere as trocas na escrita como erro por falta de cuidado e, por isso, retirar pontos.


Nunca é tarde para ensinar uma criança a ler. Qualquer criança exige apoio e paciência neste processo: o aluno disléxico precisa de ainda mais.

Fontes:

Inclusão Brasil

Psicopedagogia online